Terça-feira - Manaus - 13 de novembro de 2018 - 00:54

MANAUS-AM

Prefeito decreta Estado de Emergência em Manaus, por conta da onda de insegurança

O decreto deverá ser publicado no Diário Oficial nos próximos dias

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 14 de setembro - 16:41

De janeiro até a primeira quinzena de setembro, já são mais de 2 mil ocorrências registradas

Foto: Reprodução

“O Brasil e o mundo precisam saber que Manaus está vivendo em uma verdadeira ditadura, provocada pela ação do crime organizado e pela omissão do governo do Estado. A violência pública está deixando a população atônita e amedrontada e a Prefeitura de Manaus tem sido, insistentemente, impedida de prestar seus serviços essenciais por essa conjuntura de inércia do governo estadual e diante do terror provocado por grupos de criminosos. Vou denunciar à Organização das Nações Unidas (ONU), à Organização dos Estados Americanos (OEA), ao Ministério Público Federal (MPF), onde for preciso. Manaus está se tornando um México, no momento mais crucial de violência, quando tantas vidas foram abatidas”. 

As palavras duras do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, foram em reação à onda de crimes que vem sendo praticada contra unidades de serviço público, que somente este ano já atingiu mais de 2 mil ocorrências. O prefeito, que já procurou o ministro da Justiça, Raul Jungmann, para alertar sobre o clima de violência na cidade e cobrar providências, agora, além das denúncias aos órgãos nacionais e internacionais, também vai decretar Situação de Emergência, mecanismo pelo qual torna oficial o caos na segurança pública no município e com o qual pretende se municiar para cobrar providências em todas as instâncias necessárias.  

Arthur, em coletiva à imprensa, realizada nesta sexta-feira, 14/9, em uma Unidade de Saúde Básica (UBS), no Zumbi dos Palmares, zona Leste, acusou o governo do Amazonas de ser incompetente na gestão da segurança pública. “Ou é incompetente por total omissão ou o é por conivência. A segunda hipótese é muito cruel, mas eu não a descarto. Porque, a mim, causa muita estranheza esse aumento de violência contra as unidades municipais neste preciso momento”, afirmou o prefeito. “Ou é omisso, ou é cúmplice”, reforçou.  

Segundo o prefeito, o aumento da violência, especificamente contra os aparelhos municipais no momento político-eleitoral levanta sérias suspeitas de que os grupos criminosos estão sendo estimulados por outros grupos com interesse político, para atingir a ele, Arthur, por ter se colocado frontalmente como adversário.

“Ele – o governador – me odeia, porque acha que sou seu inimigo. Mas, não é a mim que atinge e sim ao povo de Manaus”, disparou.  Arthur chegou a se emocionar quando relatou casos de violência sofridos por servidores em UBSs, escolas, parques municipais. “Querem humilhar, intimidar a população e o meu governo. Mas eu não vou me deixar humilhar, nunca. Vou continuar denunciando e cobrando soluções, porque eu amo Manaus”, finalizou.    

O decreto de Situação de Emergência deverá ser publicado nos próximos dias, especificando medidas que serão adotadas, segundo explicou o Procurador-Geral do Município, Rafael Albuquerque.   

Insegurança

De janeiro até a primeira quinzena de setembro, já são mais de 2 mil ocorrências registradas, entre furtos, roubos, assaltos à mão armada com reféns e vandalismo às unidades de saúde, educação, transporte coletivo e assistência social, geridas pela Prefeitura de Manaus. Em agosto, quando o prefeito se reuniu com o ministro da Justiça, os números eram superiores a 1,8 mil ocorrências de violência contra os órgãos municipais e servidores públicos, prejudicando o pleno funcionamento desses serviços e levando prejuízos à população que fica sem atendimento.  

Além do prejuízo material e da paralisação de parte do serviço público, os furtos e assaltos também causam transtornos psicológicos aos servidores municipais e às pessoas atendidas pelo município. Em várias situações, as vítimas da violência se viram como reféns e foram submetidas à mira de armas.  

Na área de saúde, de janeiro até quinta-feira, 13, foram registradas 53 ocorrências de roubos e furtos nas Unidades de Saúde. Do total, 62,2% das ocorrências foram de furtos e 37,8% de roubos. Mais de 60% dos casos ocorreram na zona Norte; 24,52% na zona Oeste e 15,09% na zona Leste. Os ladrões levam aparelhos celulares, bolsas, computadores, botija de gás, condicionadores de ar e veículos de servidores.  

Na última quinta-feira, por exemplo, dois homens armados com revólveres entraram na UBS N46, na Colônia Terra Nova, zona Norte. Eles renderam servidores e usuários, roubando seus pertences e documentos. Em seguida, trancaram todos em um dos consultórios. As vítimas tiveram que arrombar a porta para conseguir sair. O carro de uma enfermeira da unidade, foi levado pelos assaltantes. No momento do assalto, 15 pessoas estavam na UBS, entre elas, duas crianças e uma jovem de 22 anos, grávida de três meses, que aguardava a primeira consulta do Pré-natal.  

Esse foi o terceiro assalto a unidades de saúde somente esta semana. Na madrugada de segunda-feira, 10, a UBS Leonor Brilhante, no bairro Tancredo Neves, zona Leste, foi invadida por ladrões. Na quarta-feira, 12, uma usuária teve a bolsa roubada no estacionamento da UBS Luiz Montenegro, no Lírio do Vale, zona Oeste de Manaus.  

Transporte

Passageiros do transporte coletivo também estão entre as vítimas da violência. Foram registrados, até os primeiros dias deste mês, 1.854 roubos nos ônibus de Manaus, que gerou um prejuízo de mais de R$ 400 mil ao sistema, além de perdas e traumas aos usuários. A empresa mais afetada foi a Integração Transporte, que atende, em grande parte da frota, bairros da zona Norte de Manaus.  

Ontem, criminosos roubaram um bebedouro que atendia motoristas e cobradores no terminal de bairro dos ônibus que atendem o Amazonino Mendes, zona Norte de Manaus. O problema coloca a população em situação de risco, a ponto de usuários tentarem reagir aos assaltos, como ocorreu no último dia 23, na linha 126.

Assistência Social

Já na área social, as ocorrências somam 24 registros, desde o início do ano, sendo a própria Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) tendo sido alvo da ação de criminosos, que, por três vezes, furtaram material da sede, localizada na avenida Ayrão, Centro.

Nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) destacam-se as ocorrências na estrutura localizada no Prourbis, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste, onde foram oito registros. As unidades da Redenção, Alfredo Nascimento, Betânia e São José 3 e 4 também foram alvo da ação de bandidos.

Outras cinco unidades dos Centros de Referências Especializados em Assistência Social (Creas) tiveram registros de roubos e furtos, além do Centro Social Urbano (CSU), do bairro Parque 10 de Novembro, na zona Centro-Sul, também gerido pela Semmasdh, que este ano contabiliza três ocorrências.  

Educação

Ao todo, 429 escolas municipais contam com o monitoramento do Centro de Operações de Segurança Escolar (Cose), com serviços de guarda e câmera. Mesmo assim, conforme dados da Secretaria Municipal de Educação (Semed), de janeiro até a setembro, 96 unidades de ensino já sofreram assalto, furto ou vandalismo. Dois dos assaltos ocorridos foram agressivos, com rendição de professores e alunos, um na Escola Municipal Padre Calleri, na BR-174, e outro no Centro Municipal de Atendimento Sociopsicopedagógico (Cemasp) 1, no conjunto Eldorado, zona Centro-Sul.