Quinta-feira - Manaus - 18 de julho de 2019 - 01:17

MANAUS-AM

Polícia deflagra operação contra ex-diretores de David Almeida no governo interino

Os alvos são o coronel da Polícia Militar (PM) Nilson Cardoso, que atuava na Suhab, e o major aposentado e advogado José Júlio César Correa, que era diretor da entidade

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 18 de junho - 11:10

David disse que apoias as investigações

Foto: ALE

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou na manhã desta terça-feira, 18/6, a 'Operação Bilhete Premiado'. A ação visa aprofundar as investigações relacionadas aos crimes de tráfico de influência, fraude e dispensa indevida de licitações, envolvendo a contratação da empresa Ezo Soluções Interativa pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) no valor de R$ 5 bilhões, em  2017. Os alvos das medidas são ex-diretores do órgão.

Conforme apurado pelo Portal Toda Hora, os alvos são o coronel da Polícia Militar (PM) Nilson Cardoso, que atuava na gestão do governador interino David Almeida, em 2017, como diretor-presidente da Suhab, e o major aposentado e advogado José Júlio César Correa, que era diretor da entidade.  
 
Segundo as investigações do MPE, os referidos agentes públicos intervieram para a contratação ilícita da empresa Ezo Soluções Interativa, sem respeitar as regras procedimentais adotadas pelo Estado (dispensa indevida de licitações) e os trâmites burocráticos do contrato. 
 
Segundo o MPE, o contrato previa a prestação de serviços de recuperação de valores junto à carteira do Fundo de Compensação de Variações Salariais FCVS) indicando patente nulidade da contratação. Entretanto, a Caixa Econômica manifestou que não há qualquer direito a crédito no referido caso para a Suhab e o Estado do Amazonas e, ainda assim, mesmo sem qualquer resultado eficaz, a empresa se considera credora do Estado do Amazonas e da Suhab no valor de aproximadamente R$ 5 bilhões, devido ao contrato.
 
Além disso, segundo apurado pelo MPE, há indícios de que havia influência de forma indevida às decisões da Suhab em favor da referida pessoa jurídica. Posteriormente, já fora do cargo, Júlio César passou a advogar para a empresa investigada com a promessa de que receberia o valor de R$ 200 milhões a título de “prêmio” por conseguir a referida contratação e pagamento, em prejuízo do erário. Tal acordo foi apelidado de “acordo do bilhão” pela imprensa à época da divulgação dos fatos.
 
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, as equipes do Gaeco e da Polícia Civil apreenderam documentos, computadores portáteis, smartphones e tablets.  Todo material  já estão sendo periciados, bem como estão sendo ouvidas na sede do Ministério Público pessoas que possam ter envolvimento com os crimes investigados na operação. 

Defesa

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), David Almeida, afirmou, por meio de nota, que apóia as investigações do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) a respeito do caso Suhab, e espera que seja dada a ampla defesa aos investigados. 

"David observa que não é alvo das investigações e que é o principal interessado na verdade dos fatos. Ele explica que a Suhab é uma autarquia com personalidade jurídica própria, inclusive com procuradoria autárquica própria. Ela, portanto, tem autonomia administrativa e todos os atos são gerenciados e autorizados pelo gestor, o ordenador de despesas", diz a nota encaminhada pela assessoria. 

Nilson Cardoso atuou na Suhab em 2017

foto: Divulgação