Sexta-feira - Manaus - 14 de agosto de 2020 - 04:56

MANAUS-AM

Parlamentares do AM divergem sobre convocação de Bolsonaro para manifestação

Políticos do Amazonas se manifestaram sobre a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de compartilhar vídeos que convocam manifestações para o próximo dia 15 a seu favor e contra o Congresso. 

SIGRID AVELINO

Publicado em 26 de fevereiro - 15:46

Ao divulgar o vídeo e indiretamente fazer o convite a apoiadores, o presidente pode ser acusado de crime de responsabilidade

Foto: Divulgação

Parlamentares do Amazonas reagiram à notícia de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou vídeos que convocam para atos contra o Congresso Nacional previstos para o dia 15 de março. Os representantes do Estado dividiram opiniões sobre a iniciativa do presidente. 

De acordo com publicação da Folha de S. Paulo, a manifestação é uma resposta à fala do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que chamou o Congresso de "chantagista" na semana passada. A informação foi confirmada pelo ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-RJ), amigo próximo de Bolsonaro. 

Ao divulgar o vídeo e indiretamente fazer o convite a apoiadores, o presidente pode ser acusado de crime de responsabilidade previsto na Constituição Federal. Consta no artigo 85 do documento que “são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - a existência da União; II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação”.

Pelo twitter, o senador pelo Amazonas Eduardo Braga (MDB) frisou que o compartilhamento do vídeo pode ser considerado um atentado à democracia. “Agredir o Congresso Nacional é agredir o equilíbrio institucional e a democracia. É o debate político no Parlamento que equaciona tensões e interesses contraditórios da sociedade”, escreveu.

O deputado federal Marcelo Ramos (PR) disse que “o presidente precisa ser chamado à responsabilidade institucional do cargo e a Câmara e o Senado devem deixar claro que não temem esses arroubos autoritários do presidente e da sua base". "A resposta a quebra da institucionalidade deve ser dada dentro da institucionalidade”, escreveu o parlamentar em seu twitter.

Para o deputado federal José Ricardo (PT), a convocação de Bolsonaro desvia o foco de decisões polêmicas impostas pelo governo dele. “Nós queremos que o presidente cuide do Brasil, da saúde, da educação, da segurança e que até agora pouco foi realizado. Tudo indica que isso é uma forma de desviar a atenção da sociedade para o que é mais grave, para as ações do Governo para tirar os direitos dos trabalhadores, de entregar a Amazônia, as riquezas da região, para interesses estrangeiros”, protestou o parlamentar.

Já o senador Plínio Valério (PSDB) disse ao site "O Antagonista" que o Congresso deve reagir à convocação do presidente. “Há uma diferença muito grande entre palavras ditas por militantes e um presidente da República, seja ele inconsequente ou não. O presidente ainda não conseguiu entender que o Parlamento não é quartel”, criticou o senador. 

Apoio

Procurado pela reportagem do portal Toda Hora, o deputado federal Delegado Pablo (PSL) disse que apoia a convocação do presidente. “Acredito que o povo pode se manifestar da forma que entender melhor, por óbvio, sempre com respeito às leis e às instituições democráticas”, ressaltou.

O deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos) destacou que a manifestação vem em um momento onde os projetos apresentados pelo presidente vem sofrendo derrota, como a MP da Carteira Estudantil que caducou. Para ele, protestar seria um ato em favor da mudança. “A gente vê a todo o momento uma articulação para desconstruir o que o presidente com toda a sua equipe vem fazendo no nosso país um projeto de reconstrução”, defendeu.

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Josué Neto (sem partido)criticou as reações contrárias a Bolsonaro como ‘mimimi’. Nas redes sociais, apoiador de Bolsonaro, Josué Neto se posicionou. “Um homem que  tem apoio e prestígio popular é um excelente apoio. O povo ir para a rua se manifestar é um ato extremamente democrático. Diante dessas premissas, é fácil entender porque alguns políticos estão de mimimi com o Jair Bolsonaro”, apontou.

Cunho pessoal 

Bolsonaro foi às redes sociais na manhã desta quarta-feira, 26/02, para se pronunciar pela primeira vez sobre o assunto. O chefe do Executivo fez uma comparação entre o número de seguidores em redes sociais e o de contatos no WhatsApp.

“Tenho 35 milhões de seguidores em minhas mídias sociais, com notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No WhatsApp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, escreveu.