Terça-feira - Manaus - 2 de junho de 2020 - 23:43

MANAUS-AM

Parintins adota protocolo com coquetel de medicamentos para tratar pacientes com covid-19

Anticoagulantes e outros medicamentos têm sido aplicados em pacientes para frear ação do novo coronavírus no corpo.

ADNEISON SEVERIANO

Publicado em 21 de mai - 14:30

Hospital Regional Jofre Cohen (HJC) é a unidade de referência no município.

Foto: Reprodução

A Prefeitura de Parintins e a Secretaria Municipal de Saúde adotaram protocolo de tratamento de pacientes do novo coronavírus (covid-19) semelhante ao utilizado no hospital Sírio-Libanês e Hospital das Clínicas, de São Paulo. Os pacientes com diagnóstico positivo da doença estão recebendo doses de um coquetel de medicamentos logo na fase inicial da covid-19, quando são internados no Hospital Regional Jofre Cohen (HJC), que é a unidade de referência no município.

O diretor clínico do HJC, o médico Daniel Tanaka, explicou que o protocolo de tratamento na pandemia engloba alguns conjuntos de protocolos de outras instituições. O coquetel de medicamentos é formado de várias substâncias farmacológicas para atacar doença em diversas linhas.

“Ele está realmente alinhado com as grandes instituições de São Paulo, Hospital das Clínicas e Sírio-Libanês. No sentindo que a gente usa anticoagulante. Uma dose de anticoagulação bem similar. A gente usa o corticoide de uma maneira bem centrada nas fases da doença e uma dose maior na fase mais inflamatória da covid-19, além de antibióticos e a azitromicina, principalmente como anti-inflamatório pulmonar. Além disso, fazemos uso da hidroxicloroquina também em pacientes que tem indicação. Esse arsenal terapêutico e conjunto de armas tentando atacar a doença de todos os lados”, explicou o médico.

Os efeitos colaterais são monitorados pela equipe médica de 48h/48h, sendo que os pacientes são avaliados, no mínimo, duas vezes por dia. Em Parintins, todos os pacientes que necessitem de oxigênio para manter a saturação acima de 94% também devem ser internados. “Os pacientes mais graves vão para unidade de tratamento intermediário e sala vermelha”, acrescentou o diretor clínico do hospital.

Anticoagulação

O uso do anticoagulante tem sido adotado nos principais hospitais paulistas como mecanismo para frear a ampla coagulação ocorre junto com a hiperinflamação causada pela covid-19. A medida pode ajudar a evitar mortes de pacientes infectados pela doença. O Hospital Sírio-Libanês foi primeira unidade a adotar o uso da substância no tratamento de pacientes graves e com pouca oxigenação no sangue aplicando doses com aumento gradativo.

Uma hipótese de que distúrbios de coagulação sanguínea estariam na base dos sintomas mais graves da covid-19, dentre eles, a insuficiência respiratória e fibrose pulmonar, foi apontada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) em abril deste ano. Cerca de um mês, o tema ganhou destaque em reportagens publicadas das duas das mais importantes publicações científicas internacionais: Science e da Nature. A experiência clínica com as primeiras 27 pessoas submetidas ao protocolo desenvolvido no Sírio-Libanês foi descrita em artigo científico. 

Enquanto a maioria dos estudos indica que casos graves de covid-19 necessitam, em média, de 28 dias de ventilação mecânica para recuperação, os pacientes tratados com anticoagulante heparina - um dos mais usados no mundo, geralmente melhoram entre o 10º e o 14º dia de tratamento intensivo.

Covid-19 em Parintins

Até quarta-feira, 20/5, Parintins tinha 750 casos confirmados de covid-19 e 42 mortes causadas pela doença, de acordo com boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). A taxa de letalidade da doença no município é de 5,6%.

No início da pandemia do coronavírus, a prefeitura adotou estratégia para atendimento de sintomas respiratórios leves nas Unidades Básicas de Saúde divididas dos bairros. Segundo balanço divulgado na terça-feira, 19, já foram atendidas quase 4 mil pessoas em dois meses. As UBSs Mãe Palmira no Paulo Corrêa, Dr Toda na Francesa e fluvial foram estrategicamente escolhidas para atender casos leves de síndromes respiratórias.