Quarta-feira - Manaus - 14 de novembro de 2018 - 13:50

DIVERSÃO

'O Candidato Honesto 2' é seletivo ao parodiar políticos

O que transparece é um antipetismo mal disfarçado e um discurso tosco de desautorização da política como um todo

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 30 de agosto - 10:25

Bolsonaro - que aqui se chama Pedro Rebento (Anderson Müller) - é desenhado  como o candidato que faz a apologia da violência

Está se tornando um hábito: pela segunda vez, quando as eleições presidenciais se aproximam, Leandro Hassum lança sua comédia parodiando a trágica cena política nacional e seus atores. Desta vez a narrativa se alimenta do contexto da Lava Jato e do impeachment para divertir em situações evidentemente fictícias.

Depois de cumprir apenas quatro anos da enorme pena à qual fora condenado, o carismático e demagógico ex-deputado João Ernesto (Hassum) sai da cadeia graças às manobras do senador Ivan Pires (Cassio Pandolfh), presidente do maior partido do país, para concorrer à Presidência.

Depois de eleito, João Ernesto tem de pagar o alto preço exigido pelo inescrupuloso Pires, seu vice, que como boa eminência parda quer governar e lança mão de um vasto arsenal de intimidações, entre elas a possibilidade de um impeachment.

Se o personagem de Hassum remete evidentemente ao ex-presidente Lula, Ivan Pires é uma cópia de Michel Temer, caracterizado com todos os atributos de vampiro, como seu próprio nome já indica.

O grupo de figuras políticas parodiadas tem ainda Dilma Roussef, Jair Bolsonaro, Marina Silva -que aparece de relance em um debate de candidatos e não diz uma palavra. Até personagens insignificantes como o Japonês da Federal têm direito aos seus 15 segundos de glória.

A comicidade em torno de Dilma (Mila Ribeiro) se baseia na boa imitação de sua voz e nas formulações delirantes de suas falas. Reiterados constantemente, os disparates que diz logo perdem a graça.

Bolsonaro - que aqui se chama Pedro Rebento (Anderson Müller) - é desenhado de modo mais cáustico como o candidato que faz a apologia da violência. Quando se torna presidente da Câmara e deve liderar o impeachment, se aproxima de Eduardo Cunha, mas logo o personagem desaparece.

Além do habitual humor histriônico de Hassum, recheado de piadas tão repetitivas quanto pouco inteligentes, com direito a doses de homofobia e outros preconceitos, o filme se esmera na visada supostamente crítica em relação à política, imbuído da certeza -que compartilha com o filme anterior- de que todo político é corrupto.

O que transparece, no entanto, é um antipetismo mal disfarçado, um discurso tosco de desautorização da política como um todo. Representantes do PT, do PMDB, do centrão e da extrema direita são objetos de escárnio. Mas brilha pela ausência qualquer alusão a figuras do PSDB. O filme só ganharia sem essa seletividade, afinal, uma paródia de Aécio Neves completaria muito bem essa grotesca galeria de tipos.

Outro aspecto a deplorar é o final com pretensões edificantes, com direito a melodrama e revelação de um segredo, no mais puro estilo telenovela.

O CANDIDATO HONESTO 2

PRODUÇÃO Brasil, 2018

DIREÇÃO Roberto Santucci

ELENCO Leandro Hassum, Cassio Pandolfh, Victor Leal, Rosanne Mulholland, Mila Ribeiro, Anderson Müller

QUANDO Estreia nesta quinta (30)

CLASSIFICAÇÃO 14 anos

AVALIAÇÃO Ruim Com informações da Folhapress. 

TH VIDEO