Quarta-feira - Manaus - 27 de janeiro de 2021 - 07:07

MANAUS-AM

MS pressiona Manaus para uso de cloroquina contra covid-19; parlamentares se opõem

O ofício encaminhado na última sexta-feira, 08/01, para a Prefeitura de Manaus, sugere ser “inadmissível” a não utilização de alguns medicamentos para uso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19

SIGRID AVELINO

Publicado em 12 de janeiro - 15:13

Ministério da Saúde defende a utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento precoce de pacientes acometidos pela doença.

Foto: AFP

Diante do aumento do número de casos de Covid-19 no Amazonas, em especial na capital Manaus, que lidera a quantidade de infectados e mortes, o Ministério da Saúde (MS) está cobrando a utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento precoce de pacientes acometidos pela doença. Os dois medicamentos são defendidos pelo Governo Federal como fundamentais para tratar a doença. O Amazonas vive uma segunda onda da pandemia. 

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) divulgou nesta segunda-feira, 11/01, o diagnóstico de 2.151 novos casos de Covid-19, totalizando 216.112 casos, no Amazonas. Também foram confirmados 55 óbitos pela doença, elevando para 5.756 o total de mortes. 

O ofício encaminhado na última sexta-feira, 08/01, para a Prefeitura de Manaus, sugere ser “inadmissível” a não utilização dos medicamentos orientados pelo MS para o tratamento da covid. O documento é assinado pela secretária de Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde do MS, Mayra Pinheiro, que está em Manaus para acompanhar ações do Governo do Estado inseridas no Plano de Contingência de enfrentamento à Covid-19.

Sem citar nomes, o ofício cobra o uso das medicações. "Aproveitamos a oportunidade para ressaltar a comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde, tornando, dessa forma, inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus a não adoção da referida orientação", diz um trecho do ofício encaminhado.

Os medicamentos defendidos pelo Governo Federal e orientados na nota informativa nº 9/2020, do Ministério da Saúde, para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19, aponta como tratamento uma combinação entre difosfato de cloroquina com azitromicina e, em outros casos, sulfato de Hidroxicloroquina com azitromicina, tanto para pacientes com sintomas leves, quanto aqueles moderados e graves.

O Toda Hora entrou em contato com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para saber o posicionamento da pasta a respeito dessa pressão do Ministério da Saúde, mas, até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

Questionamentos

O vereador de Manaus, Marcelo Serafim, criticou a pressão do governo federal em utilizar a cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento precoce da Covid, em Manaus. “Inadmissível é estarmos vivendo uma crise sem precedentes e o governo que não consegue oferecer Vacina para a sociedade vem propor prescrição ideológica de cloroquina”, criticou Marcelo Serafim.

O deputado estadual Dermilson Chagas (Podemos) também rebateu a imposição do Ministério da Saúde. “Infelizmente, o ministro da saúde não é médico. E aí ele tá empurrando para os estados o uso da hidroxicloroquina que, em vários estudos científicos já provaram que não existe eficácia para o tratamento da covid, para que justifique o gasto que eles fizeram com o uso dessa droga. No Amazonas, os teste que fizeram com os pacientes alguns morreram pela superdosagem. Então, nós temos que saber o que científico e o que é só desejo do ministro para justificar o gasto”, disse o parlamentar.

Dermilson sugeriu ainda que o Ministério Público Federal entre com uma ação civil pública contra o Ministro da Saúde, pedindo um laudo técnico para saber qual é a eficiência, qual é o resultado do uso dessa droga nos pacientes.

“Só é lamentável, é triste esse posicionamento. É o desejo do governo federal, do presidente da república que todos usem hidroxicloroquina, mas eu acredito na ciência e acredito nos médicos”, finalizou o parlamentar.

Visita Ministro

Nesta segunda-feira, 11/01, o ministro Eduardo Pazuello esteve em Manaus e visitou a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Nilton Lins, acompanhado do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) e do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Durante esta semana, equipes do Ministério da Saúde visitaram diversas  UBS’s.

Durante a visita de Pazuello esperava-se o anúncio de que a vacina contra Covid-19 começasse pelo Amazonas que vive a segunda onda da doença, mas o ministro descartou qualquer possibilidade de priorizar algum estado. Segundo ele, a vacina será distribuída simultaneamente para todo o Brasil.