Sábado - Manaus - 31 de outubro de 2020 - 00:12

MANAUS-AM

Governo do AM não descarta possibilidade de segunda onda da COVID-19

Governo do Amazonas emitiu comunicado oficial sobre assunto nesta quarta-feira.

ADNEISON SEVERIANO

Publicado em 16 de setembro - 16:12

Amazonas tem 128.150 casos confirmados da covid-19 até dia 15/9.

Foto: Tácio Melo/Secom

Uma mensagem que tem circulado no aplicativo Whatsapp e em redes sociais sobre uma suposta segunda onda de contágio em massa da covid-19 no Amazonas viralizou nesta quarta-feira, 16/9. A mensagem de áudio de uma suposta profissional da rede estadual de saúde tem causado pânico. O governo do Estado divulgou que ainda não é possível afirmar que o Amazonas vive uma segunda onda da covid-19.

Em mensagem que tem circulando em grupos, uma suposta chefe de enfermagem do Hospital Delphina Aziz, que é a unidade de referência para casos de covid-19, afirma que a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) já considera que um aumento de casos do novo coronavírus é uma segunda onda de contaminação da doença. 

A suposta funcionária relata ainda que o planejamento do governo do estado para desativar os leitos de covid-19 no Hospital Delphina Aziz teria sido suspendido, mantendo os leitos para pacientes infectados e ampliando a quantidade, inclusive de UTIs.

Em nota, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) disse que, "no momento, não é possível afirmar que o Amazonas vive uma segunda onda da covid-19". 

Segundo a FVS, apesar da substancial queda no número de casos, internações e óbitos no estado até o fim de agosto, o Amazonas ainda permanece com circulação viral da covid-19 na capital e no interior, ou seja, o estado continua em pandemia. 

"Os indicadores monitorados pela FVS-AM apontam uma desaceleração na queda da média móvel de casos e um movimento de alta na média móvel de internações pela doença. Porém, no momento não é possível afirmar que o Amazonas vive uma segunda onda de Covid-19. Conforme balanço apresentado aos representantes dos demais poderes, no último dia 11 de setembro, a média móvel de casos caiu apenas 0,2% em Manaus nos últimos 14 dias anteriores", informou a FVS.

Atualmente, de acordo com a FVS-AM, há uma taxa de ocupação de 47,4% nos leitos de UTI e 46% dos leitos clínicos destinados à Covid-19 na rede pública, e 72,8% dos leitos de UTI e 67% de leitos clínicos na rede privada. Os dados de notificação registram um aumento da ocupação em 6% nos leitos públicos de UTI e 10% nos leitos privados. Nos leitos clínicos, houve um crescimento de 20% de ocupação na rede pública e 30% na rede privada.

"Essa desaceleração na queda de casos e aumento de internações é reflexo das aglomerações, cada vez mais frequentes, ocasionadas por uma parcela significativa da população que não adotou e, cada vez mais, está abandonando as medidas não farmacológicas preconizadas (como distanciamento social, não aglomeração, uso constante de máscara e lavagem frequente das mãos)", explicou a FVS.

De acordo com a FVS-AM, esse comportamento vem favorecendo a propagação do vírus, tendo relação direta com as atividades recreativas do último feriado, em balneários (incluindo a Ponta Negra), bares, casas noturnas, festas, confraternizações de aniversário e casamento, e outras aglomerações, que incluem, por exemplo, as convenções partidárias em função do período eleitoral, com intensificação da transmissão, principalmente na faixa etária entre 30 e 49 anos. 

Refletindo o padrão da pandemia, os casos que necessitam de internação são de maiores de 60 anos e os com comorbidades, que entraram em contato com quem se expôs em aglomerações e não cumpriu as regras de segurança e os protocolos definidos para o processo de flexibilização e retorno gradual dos serviços e comércio, o que tem colocado em risco todas as medidas que foram adotadas pelo Governo do Estado para contenção. 

Por medida de precaução e para que seja possível avaliar a permanência de uma curva de crescimento de internações, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) está readequando o plano macro de reabertura do Hospital Delphina Aziz, que permanecerá sendo a unidade referência para o tratamento da covid-19.

Casos

O Boletim Diário Covid-19 da FVS-AM aponta 128.150 casos confirmados no Amazonas até terça-feira, 15/09, sendo 45.909 de Manaus, que corresponde 35,82% do total do estado. Outros 82.241 casos da doença são do interior do Amazonas (64,18%). O Amazonas registrou casos confirmados da doença em todos os 62 municípios. O estado já registra 3.907 mortes pelo novo coronavírus.

Entre pacientes em Manaus, há o registro de 2.435 óbitos confirmados em decorrência do novo coronavírus. No interior, são 59 municípios com óbitos confirmados até o momento, totalizando 1.472. O boletim acrescenta ainda que 15.551 pessoas com diagnóstico de covid-19 estão sendo acompanhadas, o que corresponde a 12% dos casos confirmados ativos. 

Foram confirmados na terça-feira mais 743 casos da doença no Amazonas, sendo 692 detectados por testes rápidos, que identificam os anticorpos, com data de início dos sintomas entre, pelo menos, oito e 60 dias ou mais das primeiras manifestações da covid-19; e 51 são novos casos detectados por RT-PCR, que aponta casos novos que estão entre o 3º e 6º dias da doença. Deste total de RT-PCR, 14 são no interior do estado e 37 na capital. 

Ao todo, 108.692 pessoas se recuperaram da covid-19 no estado. Esta quantidade representa 84% dos casos confirmados da doença.

Internações
Entre os casos confirmados da covid-19 no Amazonas, há 288 pacientes internados, sendo 187 em leitos clínicos (70 na rede privada e 117 na rede pública) e 97 em UTI (52 na rede privada e 45 na rede pública). 

Há ainda outros 54 pacientes internados considerados suspeitos e que aguardam a confirmação do diagnóstico. Desses, 39 estão em leitos clínicos (19 na rede privada e 20 na rede pública) e 12 estão em UTI (sete na rede privada e cinco na rede pública).

No último balanço 15 municípios não atualizaram o sistema de informação para consolidação dos dados do boletim. São eles: Apuí, Barcelos, Beruri, Canutama, Carauari, Envira, Japurá, Juruá, Jutaí, Manacapuru, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Tapauá e Tonantins.

Redução de índices O Amazonas apresentou redução em índices relacionados à covid-19, de acordo com Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Segundo a diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, houve uma queda de 17% no número de casos por data de diagnóstico. Houve ainda queda na média móvel de casos, que apresentaram uma redução de 19% no interior e 13% em Manaus.

Quando comparado com outros estados, o Amazonas caiu para a 5ª colocação do ranking nacional de mortalidade pela covid-19, apresentando um grau de letalidade estável em 3,1%. Já nos medidores de incidência, o Amazonas passa a ocupar a 7ª posição. O estado já ocupou a liderança de mortalidade e incidência no país durante o pico da pandemia. Porém, o vírus continua circulando e é um risco para saúde.

“Nós continuamos tendo o vírus circulando, como nós sempre afirmamos. Esse vírus ainda não tem um medicamento que seja eficiente contra ele, ainda não tem uma vacina que proteja contra ele. Então cada um de nós tem que ter responsabilidade com a sua saúde. É necessário que cada um de nós continue mantendo as medidas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde”, orienta.