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DIVERSÃO

Em novo 'Halloween', Michael Myers é uma máquina de matar

Depois que Michael Myers foge do cárcere e ruma para a cidadezinha de Haddonfield, o filme se transforma num videogame de carnificina

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 25 de outubro - 13:24

A violência explícita tenta fazer um contraponto dramático à tranquilidade de Myers ao cometer esses assassinatos

Foto: Divulgação

"Halloween", com cenas violentas editadas num bom ritmo, é o décimo filme com o personagem Michael Myers, um dos assassinos mais implacáveis do cinema de horror. O lançamento marca os 40 anos do primeiro longa da franquia, "Halloween: A Noite do Terror", dirigido por John Carpenter em 1978. Mas o que falta nesta nova versão é justamente o talento de Carpenter.

O filme até consegue enganar em seu início. A cena de abertura, quando um casal de documentaristas vai visitar Myers na instituição psiquiátrica onde o serial killer está internado, traz uma tensão crescente realmente assustadora.

Fica a impressão de que o diretor David Gordon Green teria capacidade de ressuscitar um pouco do clima de terror latente impregnado em toda a filmografia de Carpenter, que é um dos produtores do longa e, como sempre, assina também a trilha sonora.

Infelizmente, o resto da projeção não repete a angustiante cena inicial. Depois que Michael Myers foge do cárcere e ruma para a cidadezinha de Haddonfield, o filme se transforma num videogame de carnificina.

Jamie Lee Curtis volta ao papel de Laurie Strode, a babá que enfrenta Myers no filme original. Agora uma avó, ela é a louca da cidade. Passou os últimos anos fortificando sua casa e acumulando armas pesadas, na expectativa de que um dia o assassino viesse atrás dela. E ele vem, novamente numa noite de Halloween.

A presença de Curtis já dá alguma força ao filme. Sua personagem aparece em apenas cinco das dez produções da franquia, não por acaso as melhores da lista. "Halloween" não é apenas a saga de um matador. É a história de um confronto sangrento entre um lunático cruel e uma mulher que, de tão amedrontada, é tão insana quanto ele.

Um dos personagens secundários é o psiquiatra que, mesmo após acompanhar Myers por anos, não tem a menor ideia do que motiva seu paciente a matar. Nem o médico nem o público, que não vai encontrar a menor pista disso em toda a franquia.

O novo "Halloween" expõe muito bem o que é o "estilo Michael Myers". Ele simplesmente mata qualquer pessoa que encontrar, simples assim. Enquanto procura por Laurie na cidade, deixa um rastro de cadáveres.

Sua lista de atrocidades não perdoa uma dona de casa nem um garoto pré-adolescente, mortos com um dos métodos mais recorrentes de Myers: bater a cabeça da pessoa na parede até despedaçar o crânio.

A violência explícita tenta fazer um contraponto dramático à tranquilidade de Myers ao cometer esses assassinatos, mas a maneira linear de mostrar uma barbaridade atrás da outra compromete o filme.

O que deveria impressionar pela intensidade acaba ficando um tanto monótono. Tudo se torna um videogame no qual o jogador deve trucidar algumas dezenas de vítimas até chegar à fase final, o esperado confronto com Laurie.

Quem assistiu a todos ou pelo menos uma boa parte dos filmes "Halloween" não terá do que reclamar. Como atração no gênero da ultraviolência, é uma sessão bem movimentada. Michael Myers está em plena forma.Mas seria bem melhor acompanhar cenas bem construídas, com tensão e alguns sustos, como no filme de 1978. O Michael Myers de 2018 é uma máquina de matar sem espaço para surpresas.

TH VIDEO