Sexta-feira - Manaus - 29 de mai de 2020 - 17:53

MANAUS-AM

Em assembleia geral, Sinteam vota pela continuidade da greve dos professores

A categoria rejeitou a proposta apresentada na última quarta-feira, 04/04, pelo governo do Estado, que ofereceu 15,53% de reajuste para professores

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 5 de abril

Assembleia reuniu cerca de oito mil profissionais da educação, de acordo com o Sinteam

Foto: Reprodução/Facebook/Sinteam

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) realizou uma assembleia geral na tarde desta quinta-feira, 05/04, na Arena Amadeu Teixeira, onde votaram pela permanência da greve. Na ocasião foi aprovada uma contraproposta de 27,5% que será levada ao governo do Estado, nesta sexta-feira, 06/04, que irá avalia-la. 

A categoria, que está paralisada há duas semanas, rejeitou a proposta apresentada na última quarta-feira, 04/04, pelo governo do Estado, que ofereceu 15,53% de reajuste para professores, pedagogos e demais funcionários da educação, sendo 7,41% a contar do dia 1° de março deste ano e os outros 8,12% a partir de 1°de setembro.

Segundo a assessoria do Sinteam, cerca de oito mil profissionais da educação estiveram presentes na Arena. Além do reajuste, a retomada do plano de saúde, o pagamento do vale-transporte integral, sem desconto de 6%, reajuste auxílio localidade. Pelo menos 60 municípios estão sem aula no Estado, de acordo com a entidade.

A categoria corre o risco da categoria ficar com cerca de 4,5%. A partir do dia 7 inicia o período de seis meses pré-eleições, na qual a Lei 9.504/97 que rege as eleições no país, proíbe reajustes do funcionalismo público acima da inflação acumulada. Esse período de seis meses pode se estender até o dia da posse.

O secretário de Estado de Educação e Qualidade do Ensino, Lourenço Braga, vai aguardar a comunicação oficial da contraproposta dos servidores da educação para definir os próximos passos da negociação e reafirmou o compromisso do governo em manter aberto o canal de diálogo com os representantes da categoria, mas lamentou a radicalização do movimento, pois a proposta do governo é a maior dos últimos anos.

Reunião com deputados

Também na tarde de hoje, a diretoria do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom/Sindical) esteve em reunião com as diretorias do Comando Geral de Greve, professores do interior e o Movimento de Vigilantes, Administrativos e Serviços Gerais (Vamseg) com deputados representantes da oposição para apresentar as emendas a serem defendidas na Assembléia Legislativa do Estado (Aleam).

O deputado Abdala Fraxe (Pode), 1º vice-presidente da Casa, explicou que a reunião teve como objetivo receber e debater propostas de possíveis emendas ao Projeto do Governo do Estado sobre o reajuste salarial da categoria, que precisa da aprovação da Aleam. “Precisamos ter tranquilidade e diálogo, para que possamos contribuir positivamente para a solução desse impasse”, declarou.

“Nós sabemos que o Governo vai encaminhar o projeto na próxima semana”, afirmou o coordenador do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom/Sindical), Lambert Melo. Cinco propostas foram apresentadas pelos professores.

"Amanha vamos fazer uma assembléia extraordinária na frente na frente do governo, e a categoria deve rejeitar a proposta do governador. Brigando pelos 35% até o dia 7 de abril, e depois dessa data da legislação eleitoral, a briga vai ser em busca dos 28%", afirmou a professora Helma Sampaio.

Parlamentares criticam proposta

Nesta quinta-feira, 05/04, parlamentares usaram a tribuna para criticar a proposta oferecida pelo governo do Estado.

O deputado José Ricardo (PT) disse em plenário que os deputados governistas deveriam sensibilizar o governador para apresentar uma proposta melhor aos servidores da educação.  “A base aliada de Amazonino deveria orientá-lo nesse sentido. Pois essa proposta atual está muito abaixo do que determina a lei da data-base. Segundo o Dieese, o acumulado da inflação nos últimos quatro anos é de 28% quase 29%. E uma nova proposta tem que vir contemplando todas as reivindicações que os professores têm direito, mas também apontando como deverá ser feita essas negociações, se parcelada ou integral”, comentou José Ricardo.

“Reajuste de 15,53%? Eles não explicaram, por exemplo, se isso será pago parcelado. Afirmam que vão manter o Plano de Saúde para todos. E o que isso significa a mais para os professores? Eles só estão mantendo o que já existia. Progressão vertical é natural e já está prevista em outra lei. Afirmam que vão retirar o desconto de 6% do vale transporte e não dizem quanto é isso em dinheiro. Por último, eles prometem criar uma comissão de revisão do PCCR e da progressão horizontal com a presença do sindicato. Ora, progressão horizontal é algo natural depois de determinado período”, avaliou Serafim Corrêa (PSB).