Quarta-feira - Manaus - 25 de novembro de 2020 - 10:26

BRASIL

Desemprego no Brasil bate recorde de 14,4% em junho-agosto

Isso representa 13,8 milhões de pessoas procurando trabalho e um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2019 (11,8%). 

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 30 de outubro - 15:50

O Brasil já havia registrado um recorde de 13,8% no trimestre maio-julho. 

Foto: Divulgação

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 14,4% no trimestre junho-agosto, um recorde desde o início da série histórica em 2012, informou nesta sexta-feira o IBGE. 

Isso representa 13,8 milhões de pessoas procurando trabalho e um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2019 (11,8%). 

O Brasil já havia registrado um recorde de 13,8% no trimestre maio-julho. 

O aumento no período de junho a agosto se deve a mais pessoas procurando trabalho, à medida que o país gradualmente começa a abandonar as medidas de confinamento adotadas para conter a pandemia do coronavírus, disse a agência. 

"No meio do ano, havia um isolamento maior, com maiores restrições no comércio, e muitas pessoas tinham parado de procurar trabalho por causa desse contexto. Agora, a gente percebe um maior movimento no mercado de trabalho em relação ao trimestre móvel encerrado em maio”, explica a analista do IBGE, Adriana Beringuy. 

No período analisado foram perdidos 4,3 milhões de empregos. 

Fortemente impactado pela crise da saúde, o Brasil entrou em recessão no segundo trimestre do ano, embora o governo aposte na retomada da atividade no segundo semestre. 

Os últimos dados oficiais projetam para 2020 uma contração de 4,7% e um crescimento de 3,2% em 2021. 

Milhões de brasileiros sobreviveram nos últimos meses graças a um auxílio mensal de 600 reais distribuído pelo governo, que foi prolongado até o final do ano, embora com seu valor reduzido pela metade. 

Esse apoio impulsionou a popularidade do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, com cerca de 40% nas últimas pesquisas. 

Apesar de ele próprio e vários de seus ministros terem contraído covid-19, Bolsonaro continua minimizando a pandemia, circulando sem máscara em eventos públicos com multidões e afirmando que a paralisia econômica traz consequências mais graves do que o próprio vírus. 

Para ser reeleito em 2022, o presidente chegou a criticar um dos projetos de vacinas desenvolvidos pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o governo estadual de São Paulo - governador João Doria é seu adversário político e possível adversário nas próximas eleições. 

O Brasil é o segundo país, depois dos Estados Unidos, com o maior número de mortes por covid-19. Acumula quase 160.000 mortes e cerca de 5,5 milhões de casos desde o início da pandemia.

O FMI estima uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e Caribe de 8,1% em 2020, com amplo impacto no emprego e aumento significativo da pobreza.