Segunda-feira - Manaus - 13 de julho de 2020 - 19:29

MANAUS-AM

Criação do Polo Industrial da Saúde entra em debate

Ainda não há nenhuma proposta oficial e formal sobre a criação do Polo, mas o assunto, já gera algumas discussões no meio político e da saúde.

SIGRID AVELINO

Publicado em 1 de junho - 07:05

O CBA passaria a exercer um papel fundamental na realização de várias frentes de pesquisa de produtos para a nova alternativa econômica.

Foto: Divulgação

A dependência do Brasil com outros países na compra de insumos médicos ficou em evidência com o início da pandemia do novo coronavírus. Razão pela qual pode ter despertado para a criação de um polo ainda não explorado na Zona Franca de Manaus (ZFM): o da Saúde. 

Essa alternativa econômica parece ser um objetivo já traçado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Nas redes sociais, o superintendente da autarquia, coronel Alfredo Menezes, chegou a divulgar a criação do Polo Industrial da Saúde.

“Vamos criar o Polo Industrial da Saúde!!! Já me adiantei com o exemplo dos respiradores. Temos tudo para incluir este item emblemático para abrir o Polo Industrial da Saúde, que já vai começar com outros tantos artefatos médicos como EPI’s e, quem sabe, expandir para a produção de equipamentos com tecnologia de ponta”, destacou Menezes.

Durante a pandemia, algumas empresas do Polo Industrial passaram a produzir e doar materiais para o enfrentamento da Covid-19, entre eles máscaras e Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fundamentais para conter a contaminação de profissionais nas unidades de saúde. Álcool em gel e líquido também foram produzidos e doados.

“Já direcionamos recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a linha de produtos médicos que nos levou ao desespero com a falência do fornecimento para atender as demandas da Pandemia no Amazonas”, disse  o superintendente.

Segundo Menezes, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que durante anos foi subutilizado, passaria a exercer um papel fundamental na realização de várias frentes de pesquisa que podem resultar em produtos para a nova alternativa econômica. “Já estamos direcionando o CBA para adensar o Polo de Biomedicina, Fármaco-química, Antígenos, testes de controle, e todos os produtos originários de nossa biodiversidade com possibilidades de responder às demandas da Humanidade”, escreveu.

Opiniões

Ainda não há nenhuma proposta oficial e formal sobre a criação do Polo, mas o assunto, já gera algumas discussões.

Para o farmacêutico e vereador Marcelo Serafim (PSB), com a proposta, o Brasil deixaria de ser refém de outros países. “Entendo ser fundamental que o Brasil debata essa situação de maneira firme. Não podemos ficar nas mãos dos chineses para termos os mais simples EPI’s. Manaus sem nenhuma dúvida tem a estrutura necessária para isso”, comentou.

O deputado estadual licenciado Ricardo Nicolau (PSD) que também é diretor do Grupo Samel e coordenador do Hospital de Campanha Municipal Gilberto Novaes se mostrou a favor da proposta. “Sou favorável a qualquer iniciativa que se destine a atrair novos investimentos e a promover a geração de emprego e renda para o Amazonas”, destacou.

O deputado federal Marcelo Ramos (PL) alertou que a proposta pode encontrar dificuldades para conseguir benefícios fiscais. “Penso que é uma boa ideia, mas os produtos de saúde não têm PPB’s aprovados, portanto, não teriam os benefícios da ZFM. Isso envolve interesses de outros estados e novas renúncias fiscais”, pontuou. 

No entanto, Ramos foi otimista: “Para o período da calamidade até acho que conseguiremos essa exceção, mas, depois, acho difícil o Ministério da Economia concordar. Mas lutaremos por isso”, concluiu.

Segundo Mário Viana, presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), o Polo Industrial de Manaus tem potencial para produção de insumos médicos em parceria com grandes instituições de ensino e pesquisa.

“Temos aí a Fundação Paulo Feitoza, a Universidade Federal do Amazonas, a UEA, todas elas podem se juntar a esse grande projeto e produzir sim equipamentos, insumos de saúde de uma maneira geral que nos garanta uma autonomia, uma soberania que está provada hoje no mundo que é importante. A prova é que, por exemplo, países como Estados Unidos declinaram de produzir equipamentos de proteção individual simples como máscara, gorro etc, e depois ficaram na dependência da China. Então essa dependência total de alguns países de outros países é um risco muito grande do ponto de vista de segurança e soberania”, declarou Mário Viana.