Terça-feira - Manaus - 12 de novembro de 2019 - 13:03

MANAUS-AM

Chuvas anunciam “inverno amazônico” e impulsionam subida dos rios

A régua que mede o nível do rio Negro registrou, nos últimos treze dias, um aumento de 81 centímetros. Cota chega a 18,87 metros.

SIGRID AVELINO

Publicado em 8 de novembro - 07:00

A tendência para os meses de novembro e dezembro são temperaturas mais moderadas. 

Foto: Reprodução

Outubro passou e levou com ele um histórico de chuvas diferente de anos anteriores. Neste mês, choveu mais do que o esperado para o período, caracterizando assim o início do "Inverno Amazônico", de acordo com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). As chuvas nos afluentes dos rios (no Brasil e no Peru) que banham Manaus, como os rios Negro e Solimões, já deram ‘start’ para a enchente. A régua do Porto de Manaus que mede o nível do rio registrou em 13 dias um aumento de 81 centímetros no nível do Negro que está com cota de 18,87 metros.

Para se ter uma ideia, o volume de chuva esperado para outubro era de 84 milímetros a 137 milímetros de chuva, mas, neste mês, foi registrado um total acumulado de 205 milímetros. Com base nos dados, o mês foi considerado muito chuvoso pelos meteorologistas. 

"No nosso entendimento isso ocorreu dentro da característica de variabilidade típica do período de transição entre as estações seca (que se encerra) e a chuvosa (que se inicia) e que é marcado pela ocorrência de alternância com  eventos de tempestades e dias secos com temperaturas elevadas. Não decorreu de uma anomalia de grande escala, tipo El Niño ou La Niña, mas de uma variabilidade natural do período", explicou o meteorologista Ricardo Dallarosa, do Sipam.

O intervalo de valores de temperatura média para o mês de outubro foi de 27,6°C a 28,1°C. A tendência para os meses de novembro e dezembro são temperaturas mais moderadas. Com o início do inverno amazônico, "a expectativa é de que deve aumentar a presença de umidade na região resultando em maior nebulosidade e, por consequência, temperaturas mais amenas, maior volume das chuvas e de número de dias com ocorrência", informou Dallarosa.

Transição

Segundo o Sipam, não existe uma data certa para o início da transição entre a estação seca e a chuvosa. O período pode ser um pouco mais longo ou mais curto devido a influências de fatores naturais externos de outras regiões. Mas, é possível identificar quando a transição está no começo.

"Na transição, a característica mais marcante é a ocorrência de tempestades, com muitas descargas elétricas e fortes rajadas de vento", afirma Dallarosa.

Rio Negro começa a subir

No último fim de semana de outubro, o rio Negro começou a subir. A régua do Porto de Manaus, que mede o nível do rio diariamente, apontou que de sábado, 26/10, até quinta-feira, 07/11, o rio subiu 81 centímetros. As chuvas acima da média nas bacias dos rios Negro e Solimões, inclusive em países como o Peru, têm influenciado a subida do rio aqui na capital.

"A vazante ao contrário da cheia não tem uma época marcada. Então, ela pode ocorrer em setembro, como pode acontecer em outubro, novembro ou dezembro", destacou a pesquisadora em Geociências, Luna Gripp, responsável pelo Sistema de Alerta Hidrológico do Amazonas, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

O processo de enchente (quando o rio está subindo), começou mais cedo este ano, ainda em outubro. Em 2018, o rio iniciou a subida no dia 9 de novembro. Embora mais cedo que no ano passado, a pesquisadora informa que tudo está dentro da normalidade.

"Se considerarmos essas bacias como um todo, segundo os boletins que o Sipam, em grande parte das bacias do rio Amazonas tivemos chuvas acima da média esperada para esse período. Por exemplo, na última semana, tivemos chuvas acima da média nas bacias do Marañón e do Napo (Peru) e do Madeira (Brasil), que são os afluentes do Solimões fora do Brasil e também do próprio Solimões já aqui no Brasil", declarou Luna Gripp.

"A tendência é o rio continuar subindo como é de praxe. O rio, sobe até janeiro do ano que vem, depois continuando até junho onde acontece a cota máxima", estimou a pesquisadora.

Embora o nível do rio esteja subindo, ainda não dá para prever se em 2020 haverá cheia histórica. O nível do rio é monitorado semanalmente pelo CPRM e divulgado todas as sextas-feiras.

O primeiro boletim de alerta de cheias para Manaus, em parceria com diversos órgãos e autoridades de clima e defesa civil do Estado e do Município, está previsto para ser divulgado no dia 31 de março do ano que vem. Os boletins seguem nos meses de abril e maio, sempre no último dia de cada mês.