Sexta-feira - Manaus - 29 de mai de 2020 - 18:58

DIVERSÃO
PARINTINS

Caprichoso aposta na religiosidade na segunda noite de festival

O azul e branco levou pra arena Nossa Senhora Aparecida, Nhandecy e Yemanjá

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 30 de junho

Festa também é de muita fé

Fotos: Nathalie Brasil

A diversidade religiosa foi a marca deixada pelo Boi Bumbá Caprichoso na abertura da segunda noite da disputa do 54º Festival Folclórico de Parintins, em mais uma apresentação empolgante do Touro Negro da Francesa. As encantarias mantiveram a galera azulada vibrante e impecável. Na arena, se formava o grande altar que abrigou Nossa Senhora Aparecida, Nhandecy e Yemanjá na alegoria “Matriarca”, dos artistas Aldenilson e Paulo Pimentel.

Uma procissão seguia ao som da toada Matriarca, interpretada pela cantora Márcia Lima, acompanhada pelos itens do bumbá e a imagem da padroeira dos parintinenses católicos, Nossa Senhora do Carmo. E “No braseiro da fé, Esperança é Minha Luz”, espetáculo desenvolvido pelo Caprichoso na noite deste sábado, a torcida azul viveu a segunda noite da Festa do Boi de Pano.

A evolução do grupo folclórico correspondeu à expectativa da Galera que apoiou, do começo ao fim, o roteiro da apresentação, mesmo nos momentos difíceis, como quando um módulo alegórico que antecedia ao da Cunhã Poranga, Marciele Albuquerque, empacou no portão de entrada da arena. O corre-corre envolveu dezenas de paikicés (empurradores de alegorias), artistas e até o presidente Babá Tupinambá, para evitar atraso na evolução do Touro Negro.

Cunhã teve problema com a alegoria usada e precisou retirar a indumentária

Em mais uma evolução vibrante, o Boi caprichoso seguiu um planejamento criativo e à altura da proposta de conquista do tricampeonato no Festival Folclórico.  O passeio pelas encantarias foi vivido intensamente pelos camisas azuis.

O Sacaca da Floresta foi a figura típica regional, do artista Nei Meireles, em uma intensa abordagem do sincretismo religioso brasileiro. O caboclo, herdeiro dos velhos pajés, foi representado por São Sebastião, o santo guerreiro. Foi nesta evolução que Meireles trouxe a exaltação folclórica com o Boi de Encantarias, na conexão Parintins-Maranhão surgiu o boi-bumbá.

Navegar nas encantarias foi a ordem. O espetáculo azul encerrou com o Toré Lalankó, um misto de xamanismo, danças e canções embaladas ao som da toada Waia-Toré, de Ronaldo Barbosa Júnior, enquanto o pajé Netto Simões evoluiu sobre a onça pintada e envolveu indígenas nordestinos até o “Canto para Jurema Sagrada”.

Arlindo Júnior apareceu mais uma vez na arena

FONTE: Com informações do Blog do Mário Adolfo